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Set142008

conspiração

Sinais evidentes de uma conspiração



Batman no Antigo Egipto



Mas «eles» não querem que tu saibas a verdade!







Construções na areia



Construções na areia







E a última agitação na blogosfera é…



A intenção do autor era denunciar o «paternalismo» com que encaramos
os deficientes por ocasião dos Jogos Para-Olímpicos - um contraste com
a «indiferença» com que os vemos nos restantes dias. O problema neste
post é o homem ter dito também que os Jogos Para-Olímpicos são uma
espécie de «freak-show» desportivo, mostrando que em relação aos deficientes Queirós tem uma visão muito mais do que «indiferente».


Alguns comentários são ainda piores. Muitas das pessoas ofendidas
com a forma «xenófoba» como Queirós se referiu aos deficientes
insultaram-no com expressões como «atrasado mental» e «deficiente
mental». O Portugal da bola no seu melhor.


 


Não desejo o meu dia de ontem a ninguém. Apanhei uma virose
qualquer que me lixou os intestinos e passei o dia em visitas pouco
dignas à casa de banho. Resultado: dieta, pózinhos de ultra-levur
diluídos em água e, por fim, ver a selecção nacional jogar bem e perder
injustamente nos últimos minutos – tudo o que o que eu podia ter
desejado para uma quarta-feira!


Já estou bastante melhor, mas não consegui avançar na escrita da
segunda parte da crítica a Zeitgeist e não vou conseguir publicá-la
hoje, como prometera.







Querem votar nas eleições norte-americanas?



A proposta de «If the World Could Vote»
é a seguinte: se nos fosse permitido votar nas eleições presidenciais
norte-americanas, em quem votaríamos, Barack Obama ou John McCain? A
lista de resultados está dividida em países e organizada por ordem
alfabética. Eu já votei.


À hora a que escrevo este post, Portugal dá uma maioria esmagadora
ao candidato democrata: 91, 8%. É interessante verificar quais os
países que preferem McCain: Geórgia (66,7%) e Israel (51,4%) são dois
exemplos a acompanhar, mas há mais. No Irão, Obama ganha com 78,6%. Na
Rússia também (69,6%).


Feita a soma de votos de todos estes cidadãos do mundo, Obama vai à frente com 81.6% dos votos. (Via Electricidade Estática)







Google Cromo



Tenho uma confissão muito chocante a fazer: experimentei o Google Chrome
durante 10 minutos, achei porreiro, sim senhor, continuem o bom
trabalho - e depois varri-o por completo da memória (da minha, não do
computador - ainda não o desinstalei). Acham que fiz bem?


Lembro-me de ter ficado aborrecido com a Google porque o único
browser de onde era possível importar «bookmarks» era o Internet
Explorer. Chamar «browser» ao Internet Explorer é uma contradição, mas
o que me chateou foi o facto de a opção Mozilla Firefox não existir no
menu de importação, pelo menos na versão beta inicial que instalei -
ora, isto parece-me uma limitação um bocado estranha para um browser
que chama «bookmarks» (e não «favorites») à sua lista de links.


Talvez versões posteriores já tenham corrigido esta menor
inconsistência filosófica ou exista um truque qualquer para importar as
«bookmarks» do Firefox, não sei e francamente não me interessa. Não
existem ainda versões para Linux e raios me partam se vou voltar a
aturar o Windows por causa da Google.


Enfim, o tempo foi passando enquanto eu navegava muito satisfeito no
meu Firefox e só me lembrei que o tal Chrome existe e insiste porque a
malta do Planet Geek tem andado a lembrar-me a mesma coisa de cinco em
cinco posts.


Ter esquecido o browser da Google (é essa a sua principal
característica, não é?) deve ser um erro imperdoável e com certeza
arrepender-me-ei desta negligência até ao resto da minha vida, mas
sinto-me tão bem com a minha raposa que não sei porque raio irei perder
tempo a readaptar os meus hábitos por causa de um browser que não
pareceu ter nada de especial para me fazer mudar. Posso estar enganado
- se estiver enganado, pronto, também não vou mudar de opinião.


Escusam de me lembrar as principais qualidades, eu também sei ler em
inglês. Numa corrida de 100 metros o Chrome usa um «javascript» capaz
de fazer à concorrência o que Usain Bolt fez aos adversários nos Jogos
Olímpicos. Eu também li sobre a nova gestão de memória do tipo «uma
tab, um processo, duas tabs, dois processos». Acho essas coisas
impressionantes e espero que a malta toda se divirta.


Mudar para o Google Chrome só para ficar com a taça de campeão dos
centésimos de segundo também não me atrai. E memória no PC já tenho que
chegue.


Até ver, o único browser capaz de substituir o Firefox é a próxima versão do Firefox.







Cães, Clifford D. Simak e umas obscenidades




Quando
descobri a ficção científica - era ainda um pré-adolescente - havia um
autor de quem gostava muito: Clifford D. Simak. Não era grande
espingarda a escrever, a tradução também não ajudava, mas tinha uma
imaginação prodigiosa e sabia muito bem como contar uma história e
manter-me entretido até ao fim.



Há um livro que nunca consegui descobrir, em
português ou inglês. Nem sequer conheço o título, apenas sei que é uma
história passada numa época futurista em que são os cães que dominam o
planeta. Uma ideia semelhante à de O Planeta dos Macacos, mas
com cães. Lindo. Imaginar a minha suricata nojenta (tenho uma Pinscher)
a passar-me as sobras do almoço com ar muito altivo enquanto eu me
abano todo… desculpem, só a ideia me faz rir.



Provavelmente o livro não é nada de especial, nem
sequer bem-disposto, se calhar leva-se a sério, o que seria uma
decepção, mas a verdade é que passei tantos anos à procura dele que se
tornou assim uma espécie de lenda, algo sobre o qual ouvi falar durante
muito tempo mas que não tenho sequer a certeza de que exista.



A primeira vez que tive essa sensação de ter
descoberto que as lendas realmente existiam foi na Escola Salesiana,
que na altura era regida por uma política de apartheid sexual: rapazes de um lado, raparigas do outro.



Numa ocasião festiva qualquer, os padres permitiram,
pela primeira vez, que raparigas e rapazes se misturassem no recreio.
Quem nos tivesse visto, julgaria de facto estar a presenciar um remake de O Planeta dos Macacos,
com os rapazes aos pulos e aos gritos para chamar a atenção e elas a
fazerem-se de visitantes civilizadas e horrorizadas acabadas de aterrar
num planeta selvagem e alienígena. Tínhamos acabado de descobrir o
sexo, nós e elas.



Mais tarde nesse dia, quando finalmente começámos a
conquistar os primeiros risinhos ternurentos às nossas visitantes, os
padres decidiram que as modernices do pós-25 de Abril não justificavam
correr tantos riscos e que era tempo de regressar à nossa casta e
piedosa vida de pequenos salazares tementes a Deus, imunes às tentações
do Diabo e cheios de água benta nos colhões.



Para alguns de nós o Diabo não tinha chifres nem
corpo de bode, mas provocava grandes ataques de tosse. Era muito mais
pequeno e franzino do que um bode, mais pálido do que os padres do
confessionário, tinha um colarinho castanho amarelado numa ponta e
perdigotos de cinza a cair na outra, e também fazia Luz. Era o nosso
pequeno deus da independência e virilidade, figura central das nossas
missas clandestinas.



 



Porra, mas eu escrevi este post porquê? Ah, já sei,
por causa destas imagens ridículas que descobri por acaso na Net e que
estão aqui ao lado. Uma coisa eu vos garanto: se alguma vez os
descendentes dos cães destas fotos se revoltarem contra a Humanidade e
estabelecerem uma civilização alternativa neste planeta, poderão contar
com a minha total simpatia pela causa. Serão estes os cães de Clifford
D. Simak?







O novo iPhone da Apple



Telemóvel revolucionário







O livro do menino Luís




Eis
uma história verídica que desejo partilhar convosco: certa mãe de
família, muito conscienciosa da educação do filho, andava cada vez mais
preocupada com o facto de o miúdo estar sempre agarrado à PlayStation. «Ele não pega num único livro», queixava-se ela.



Às tantas decidiu que era preciso fazer qualquer
coisa. Pediu ao irmão mais novo, que tinha mais tempo, para se dirigir
a uma biblioteca e trazer para casa um livro adequado. Achava ela que
com esse incentivo talvez o filho largasse a consola.



Finalmente, o irmão mais novo chegou com o livro. «Então, que lhe trouxeste», perguntou a mãe. «Ah, um livro bom para ele, um livro de aventuras do menino Luís, as Luisiadas». :mrgreen:




Zeitgeist, o grande fenómeno da Tretatologia



Alex, A Laranja Mecânica



Mais teorias da conspiração não, por favor! Eu prometo que me porto bem!


Vi ontem o documentário que tem «mudado a vida» a muitas pessoas e
se tornou num fenómeno de milhões de downloads na Internet: Zeitgeist.


Na primeira parte, o filme «demonstra» que as religiões derivam em
grande parte de pressupostos astrológicos estabelecidos séculos antes e
que a figura de Jesus Cristo é um copy paste mitológico de
Horus, o Deus-Sol dos antigos egípcios. Na segunda parte, retoma
teorias da conspiração já existentes e abundantemente difundidas acerca
da «verdade» do 11 de Setembro: a carnificina foi orquestrada pela
administração Bush para justificar uma «guerra ao terror» através da
qual retiraria proveitos económicos e justificaria a intensificação dos
sistemas de controlo dos cidadãos, minando assim as liberdades civis. A
terceira parte defende que o Banco Federal e o seu cartel de banqueiros
controla sub-repticiamente o mundo, criando e fomentando guerras e
conflitos em nome do lucro.


Muitas pessoas em fóruns de discussão afirmam que Zeitgeist lhes fez
«abrir os olhos». Compreendo a sensação. Também eu senti mais ou menos
o mesmo – não no sentido de «revelação», mas por me ter feito sentir
como o Alex do filme A Laranja Mecânica. Por fim, duas horas
depois, já não podia mais: removi os grampos Dan Brown com os quais o
autor do documentário pretende impedir-me de fechar os olhos à
«verdade» e fui para a caminha ressonar sobre o assunto.


Nos próximos dias, escreverei um post sobre Zeitgeist com toda a
informação que reuni sobre as teorias defendidas no documentário.
Entretanto, quem não viu pode vê-lo aqui – está legendado em português e a tradução pareceu-me bastante boa.


Está visto que Zeitgeist para mim é uma treta, uma treta tão
mitológica como os «mitos» que julga ter desconstruído, mas quero
primeiro escrever um post fundamentando o melhor possível a minha
opinião, mostrando o maior número possível de fontes, para depois me
poderem dar porrada à vontade. O trabalho de pesquisa está adiantado,
mas ainda me falta tempo para escrever. Fiquem atentos.


 








Ago212008

desporto

Jogos Olímpicos, quais Jogos Olímpicos?

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Record

Agora que as televisões se encarregaram de nos dar a sensação de que conhecemos Nélson Évora desde pequenino, é tempo de desenjoarmos desta coisa dos Jogos Olímpicos e das modalidades amadoras e passar ao que realmente interessa: os clubes de futebol. De resto, os títulos são elucidativos: é mais relevante «dar tudo para ser campeão do Benfica» do que «salvar a Pátria».
Para o Jornal Record o maior evento desportivo do mundo nunca teve grande importância, pelo que não admira que uma entrevista de caca feita a um jogador de futebol tenha hoje mais importância editorial que a medalha de ouro de Nélson Évora.

Prontos, foi giro, o rapaz comoveu-se, a gente também, ouviu-se o hino, a medalha levantou-nos a moral, mas é melhor não abusar muito porque este magnífico futebol português nunca chegou realmente a acabar e a malta das clubites já começa a ficar enjoada de tanto Desporto. Ainda por cima nos Jogos Olímpicos os adversários nem sequer se insultam uns aos outros, na maior parte das vezes o vencedor é cumprimentado com amizade e desportivismo pelos vencidos. Que bizarro!
Enquanto A Bola e O Jogo interrompem o fluxo das não-notícias e fazem capas com o admirável feito do atleta, o Jornal Record tem portanto a lata de manter a coerência, ou seja, a coerência da mediocridade subserviente do jornalismo desportivo português em relação aos clubes de futebol.
O que retiro desta série de manchetes é a minha incapacidade em responder a uma velha e simples pergunta: quem faz estas capas, eles ou nós? Dito por outras palavras: é o jornalismo que molda as nossas necessidades ou são as nossas necessidades que moldam o jornalismo?

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Desporto

Marco Fortes, és o maior

Já ouviram falar de um lançador do peso chamado Marco Fortes? Grande apelido para um lançador do peso! Antes dos Jogos Olímpicos nunca tinha ouvido falar dele - e aposto que muitos de vocês também não.

Aliás, tirando os nomes mais conhecidos (Vanessa Fernandes, Naide Gomes, Nélson Évora, Francis Obikwelu, Telma Monteiro) a maioria dos portugueses não sabe quem são os outros atletas portugueses em Pequim. Não sabe porque não liga, não quer saber, as notícias são escassas, o que interessa é o futebol. Mas a ignorância nunca impediu os portugueses de criticar e os jornalistas de entrevistar.

O caso de Marco Fortes é um bom exemplo. A participação do atleta foi decepcionante para ele e para os adeptos da modalidade, pois fez dois ensaios nulos e um lançamento abaixo da marca definida para o apuramento directo.

O falhanço de Marco Fortes até passaria mais ou menos despercebido não fosse o caso de o homem ter dito à RTP o seguinte: «Cheguei à conclusão que de manhã só estou bem na “caminha”. Lançar a esta hora foi muito complicado. Apesar de ter entrado bem na prova, com dois lançamentos longos com mais de 19 metros, no último as pernas queriam era estar esticadas na cama».

O homem teve azar porque estas declarações foram feitas pouco antes de Obikwelu ter afirmado aos jornalistas o seguinte: «Agradeço a todos, porque estiveram a ver-me na televisão, e peço desculpa. Estou a ganhar dinheiro, porque o povo português está a pagar para eu estar aqui, e não consegui chegar à final. Este é o meu trabalho e queria pelo menos dar uma final aos portugueses.»

Das declarações de Marco Fortes, aproveitaram-se «de manhã só estou bem na caminha» e «as pernas queriam era estar esticadas na cama» para fazer comparações com as declarações dignas de Obikwelu e questionar a seriedade e o patriotismo do lançador do peso. Mas será que estas declarações significam realmente que Fortes foi preguiçoso, leviano e displicente?

Nada como ler as declarações que ele fez antes de começar. «No último mês, grande parte dos principais candidatos fez as suas melhores marcas. Já tiveram o seu pico de forma mais alto e agora até poderão estar no pico descendente», disse na conferência de imprensa. E depois afirmou o seguinte: «O meu maior desejo é que os atletas com melhores marcas estejam de rastos e que não possam com o peso na sexta-feira, que durmam mal, comam qualquer coisa que lhes faça mal, que não queiram ir para a pista, coisas assim».

Que nos diz isto? Além de pouco sério e preguiçoso, também é um mau desportista? Claro que não: confrontado com uma pressão mediática a que não está habituado, Marco Fortes é o tipo de pessoa que se refugia no sentido de humor e na graça para lidar com essa pressão. Imaginem o que é ser praticamente ignorado nos jornais e televisões durante quatro anos e depois levar com os holofotes todos de uma só vez - não em nome do Desporto, mas do dinheiro, das audiências e dos contratos publicitários. Mais perturbante que estes falhanços dos atletas é o desmesurado despudor das televisões.

Marco Fortes só agora terá percebido que as Relações Públicas também são importantes para quem lança o peso. Talvez esse ensinamento seja importante para ele, mas de uma coisa pode estar certo: só o poderá aplicar daqui a quatro anos. Até lá ninguém lhe vai ligar patavina.

 

ai que susto

O horror de Joshua HoffineO horror de Joshua Hoffine

Talvez antecipando exclamações de horror pela forma como consegue estas fotos, Joshua Hoffine esclarece no seu site que os «actores» são membros da própria família e que alinham nesta encenação do medo por «divertimento».

Temos cenários, figurinos, guarda-roupa, actores, maquilhagem, máquinas de nevoeiro - Joshua Hoffine prepara cada fotografia como um pequeno filme de terror e não usa Photoshop para fazer montagens, mas apenas ajustamentos de cor e luminosidade nas versões para impressão.

Quanto às suas opções estéticas, acredita que «as histórias de terror têm a ver com a iminência e aleatoriedade da morte. A experiência do horror reside no confronto com as incertezas da nossa existência. O horror diz-nos que a nossa crença na segurança é ilusório e que os monstros estão à nossa volta».

Na base do seu trabalho, contudo, está o amor pelos velhos cartoons da Disney, a combinação entre o «hiper-realismo» dessas animações e os valores de produção dos grandes filmes de Hollywood. «Faço as minhas fotografias bonitas para que as pessoas demorem mais tempo a olhar para elas.»

Fotógrafo Ninja

Fotógrafo Ninja

Foto: Smitchai Lertanan

iPinscher

Os Especialistas


A minha Pinscher também dava um bom sistema desintegrado de navegação GPS :mrgreen:

Há gente com sorte

Há tipos de sorte

Esta pick-up despistou-se, galgou a protecção da estrada, deu vários piruetas e acabou por «aterrar» em sentido contrário. Se carregarem na foto verão o seu enquadramento real e terão uma ideia precisa da dimensão da sorte que teve o condutor… (Esta história chegou-me por email e o texto que a acompanhava estava escrito em português do Brasil - a foto parece-me autêntica).

Isto, sim, é andar à pendura

No lugar do morto

Não quero que vos falte nada

Para o Infinito e mais harém

Julianne Moore, Jennifer Connelly, Gwyneth Paltrow, Naomi Watts, Salma Hayek, Jennifer Aniston, Kirsten Dunst, Diane Lane, Lucy Liu, Hilary Swank, Alison Lohman, Scarlett Johansson e Maggie Gyllenhaal reunidas e fotografadas por Annie Leibovitz.

Adão e Evas

Passeio na Praia

Até porque a união faz a força

harém

Oops.

Revisionismos ‘geek’

Sepideh Anjamrooz, cartoonista iraniana

Um por todos e todos por um

 

Ago102008

assalto

A vida não é assim tão simples

A mim faz impressão a alegria demonstrada por muitas pessoas a propósito do desfecho do assalto à dependência do BES: os reféns salvaram-se, mas um dos raptores morreu e o outro ficou ferido com gravidade. Também há quem louve o GOE (Grupo de Operações Especiais) por uma actuação tão eficaz e perfeita que lembrou os filmes de Hollywood, filmes em que os SWAT são apenas heróis e os ladrões apenas bandidos - como se Hollywood e a sua visão ultra-simplificada da realidade fossem um modelo a seguir.

Também me parece que os portugueses que comentam as notícias revelam ser grandes conhecedores em áreas sobre as quais nada conheciam há dois dias: agora todos se tornaram especialistas em tácticas policiais e psicologia criminal, revelando que em cada um de nós existe sempre um Moita Flores à espreita da oportunidade de se revelar: os defensores da actuação do GOE dizem que os polícias foram perfeitos, o segundo tiro do sniper foi de génio; a minoria que não gostou da intervenção policial garante que os raptores, mais tarde ou mais cedo, iriam entregar-se às autoridades. A sério? Uau. As coisas que nós sabemos e nunca suspeitámos.

Essas são questões que não me sinto qualificado para responder. Não sou capaz de dizer se a polícia agiu mal ou bem, eu não estava lá, não sei, ninguém sabe como decorreram as negociações, o que eles disseram e o que os negociadores responderam, ninguém de fora pode afirmar com certeza absoluta o que os raptores iriam fazer a seguir baseando-se apenas em imagens captadas de longe por um telemóvel.

A questão que me importa mais é a forma como vemos e reagimos a este tipo de história. Parece que se torna mais fácil ficarmos alegres por um desfecho sangrento, mas feliz, se nessa história estiverem estereótipos que possamos assimilar com facilidade. De um lado, dois criminosos raptores; no meio, encurralados, dois reféns inocentes; do outro, polícias no cumprimento do dever. Quem me dera ver as coisas de uma forma tão simples: estaria contente pela libertação dos reféns, orgulhoso pela actuação da polícia, indiferente à morte dos maus da fita - tal como num filme de Hollywood.

Na vida real, contudo, estamos sempre a falar de pessoas. O tipo que sobreviveu, por exemplo, tem 23 anos, chama-se Wellington Nazaré, é natural de Minas Gerais e estava em Portugal há vários meses a trabalhar na construção civil sem autorização de residência. Durante o assalto, Wellington entrou em contacto com o primo Rodrigo Nazaré pedindo-lhe para telefonar à mãe no Brasil e dizer-lhe que «estava a trabalhar muito e que se encontrava bem». Nesse telefonema, desesperado, confessou que preferia morrer a entregar-se: «Eu suicido, eu suicido». Sobre o outro que morreu, Nilson Sousa, pouco se sabe além do nome e do facto de ser também clandestino e morar perto de Wellington. (Fonte: Expresso)

Já sei que alguns vão acusar-me de estar a desculpar estes dois brasileiros. É óbvio que não estou. Tentaram roubar, fizeram ameaças, provocaram traumas, podiam de facto ter morto outras pessoas.

Bem sei que somos os únicos responsáveis pelas nossas escolhas e que há muitas pessoas com dificuldades na vida que não pensam em assaltar um banco e fazer reféns; mas não consigo condenar com tanta facilidade um ser humano partindo apenas da ideia de que o mundo está dividido entre crianças que querem ser astronautas e as outras que querem ser más quando forem crescidas.

Arrumando de vez o ‘importante’ assunto Batman

Aguentem-se

 

As provocações nem sempre têm como objectivo ofender as outras pessoas, mas fazê-las pensar por que razão se sentem ofendidas e se é mesmo caso para se sentirem ofendidas.
Pensei que isto fosse óbvio, mas estava enganado. Nunca se deve subestimar a capacidade que as pessoas têm de se recusar a pensar, sobretudo na Internet. À mínima oportunidade, deixam de o fazer e portam-se como idiotas. E não é tão complicado como isso levar algumas pessoas a deixar de pensar: basta gozar com assuntos tão importantes como um blockbuster de Hollywood ou um personagem de BD. Ao insistir nas provocações do Batman, o meu objectivo era expor o ridículo de quem se sente provocado por um assunto destes. Felizmente, a grande maioria dos frequentadores do Bitaites é adulta.

E aviso já todos os fanáticos, os fanáticos a sério e os fanáticos de peluche: aqui nunca se sentirão à vontade. Quanto mais a minha liberdade de expressão vos incomodar, mais eu vos fodo o juízo. Sou um filho do 25 de Abril, crianças. O 25 de Abril foi um dia em que muitos Batmans saíram à rua em nome da Liberdade e da Justiça. Alguns estão caquécticos, outros morreram, a maioria nem os nomes ficarão na História. Quase todos esses anónimos foram uns heróis - não por usarem capa ou terem super-poderes, mas porque souberam lutar pelas suas convicções usando apenas o poder da sua integridade e coragem. Se a Liberdade e a Justiça que temos não são as que eles idealizaram, cabe-nos agora a responsabilidade de sermos dignos dessa herança e assumir o nosso papel - nem que seja através de um simples blogue. Portanto, criancinhas cegas adoradoras do Batman: assunto encerrado. Tenho outros valores para adorar, outros assuntos em que pensar. Ponham-se na alheta.

Da Natureza do Fanatismo

Amoz OzDa Natureza do Fanatismo é um texto que resultou de uma conferência dada pelo escritor israelita Amoz Oz a 23 de Janeiro de 2003. O escritor e activista político sul-africano Nadine Gordimer, Prémio Nobel da Literatura, descreveu a escrita de Amoz Oz como «a voz da sanidade que sobressai no meio da confusão.» Amoz Oz prescindiu dos direitos de autor sobre este texto por considerar mais importante passar a mensagem do que ganhar dinheiro, pelo que qualquer um o pode divulgar ou distribuir, desde que não o faça com objectivos comerciais. Como estou de férias e não tenho tanto tempo para actualizar o blogue, reedito aqui este magnífico texto. Talvez alguns de vocês o queiram imprimir para ler durante as férias… Garanto-vos, é uma leitura bastante interessante. O post está dividido em várias páginas, pois é muito extenso.

Como curar um fanático? Perseguir um punhado de fanáticos através das montanhas do Afeganistão é uma coisa. Lutar contra o fanatismo, outra muito diferente. Receio não saber muito bem como perseguir fanáticos pelas montanhas, mas talvez possa apresentar uma ou duas reflexões acerca da natureza do fanatismo e sobre as formas, se não de curá-lo, pelo menos de controlá-lo.
A chave do ataque de 11 de Setembro contra os Estados Unidos não deve ser apenas procurada no confronto existente entre pobres e ricos. Esse confronto constitui um dos mais terríveis problemas do mundo, mas estaríamos errados se concluíssemos que o 11 de Setembro se limitou a ser um ataque de pobres contra ricos. Não se trata apenas de «ter ou não ter». Se fosse assim tão simples, deveríamos esperar que o ataque viesse de África, onde estão os países mais pobres, e que talvez fosse lançado contra a Arábia Saudita e os emirados do Golfo, que são os estados produtores de petróleo e os países mais ricos. Não. É uma batalha entre fanáticos que crêem que o fim, qualquer fim, justifica os meios, e os restantes de nós, para quem a vida é um fim, não um meio.

Post herege

Batman senil

Boa,rui cruz

Não quero parecer paternalista, condescendente ou juiz do que deve ser ou não um bom blogue, atenção, muito longe disso, mas depois de malhar tantas vezes no Rui Cruz é da mais elementar justiça reconhecer também que nos últimos tempos ele cresceu como blogger.

O blogue melhorou a olhos vistos, sobretudo nos temas que escolhe, além de estar neste momento a lutar por uma causa perdida mas que é importante para mim, pois também sou pai. A luta contra a porcaria ignóbil do Vazou na Net pode ser interpretada como uma forma de sacar tráfego, mas eu acredito na sinceridade do que ele tem escrito sobre o assunto. Parabéns, Rui. Como tantas vezes te disse, um link não se pede, conquista-se.

Fazendo bom uso das imagens num blogue

Muitas vezes me têm perguntado onde arranjo eu as imagens que coloco no blogue. A resposta é simples: na Internet, como toda a gente.

A questão mais importante no uso de imagens num blogue não é tanto onde encontrar as imagens (embora seja importante ter uma boa lista de sites), mas o que fazer com as imagens depois de as encontrarmos. É este o assunto do post. Para muitos bloggers, sobretudo os que já andam nisto há muito mais tempo do que eu, são dicas básicas. Limito-me portanto partilhar a minha experiência e os meus truques para que eventuais interessados os transformem, melhorem, tornem seus e os partilhem também.

 

Resistir à tentação de publicar assim que a descobrimos - A imagem que descobriste pode ser engraçada e dar um post imediato, mas será ainda mais engraçada se a enquadrares num texto. Eu também faço muitos posts só com uma imagem caída do céu, mas procuro evitá-los. Há uma boa razão para contextualizar as imagens: como o que tu descobres na Web pode ser encontrado por toda a gente, uma boa forma de seres original é usando a imagem para subverter o sentido do post ou para dar ao teu visitante uma pista imediata sobre o que pretendes dizer e, mais importante, o tom em que o pretendes dizer.

É preferível guardá-la e esperar que a simples intuição ou o entendimento do que pretendes escrever te diga: «esta imagem aparentemente não tem nada a ver com o assunto, mas conjuga-se lindamente». Não interessa se é um contraponto sério, informativo, irónico ou sarcástico: desde que faça sentido para ti… é para usar sem hesitações. Imagina que vais escrever um post sobre a mentira ou a demagogia. Porque não usar esta imagem? Uma foto «batida» na net pode ganhar uma nova vida, graças a ti. Um blogger exímio a usar este truque é o Cardoso.

 

Pensa pela própria cabeça


Como encontrar imagens? - Não vou fazer uma descrição exaustiva dos sites que frequento por uma razão simples: provavelmente são os mesmos que já conheces e depois porque dá mais gozo fazeres as tuas próprias descobertas. Em primeiro lugar, usa o StumbleUpon.

O StumbleUpon é um add-on que pode ser instalado no Firefox ou Internet Explorer. Em breve, uma versão final chegará também ao Opera. O StumbleUpon é uma rede social e uma base de dados de bookmarks construída por uma comunidade de milhões «exploradores» da Web.

Cada «stumbler» tem o seu próprio blogue onde pode colocar, se quiser, as suas descobertas. Sempre que alguém encontra um Website, artigo ou imagem interessante, vota favoravelmente (o voto negativo também é possível, mas não interessa neste caso). Quando carregamos no botão Stumble, somos dirigidos aos sites, artigos ou imagens mais votados pela comunidade - não é uma garantia imediata de qualidade, mas descobrem-se muitas coisas interessantes. Experimenta usar como palavras-chave high quality photos ou funny photos e verás os resultados. E isto é apenas um começo.

Outro método é brincar com o Google Image Search. Experimenta procurar por «123456789» na pesquisa de imagens. Explora bem os resultados, que deverão ser aos milhares. Aposto que vais encontrar uma imagem engraçada e totalmente inesperada. E, quando a encontrares, considera se não é preferível guardá-la e esperar que um post qualquer te faça lembrar a tal imagem que encontraste. Se isso acontecer, é quase certo que ficará bem no teu texto.

ORA BOLAS....

O meu portátil foi à vida. Deve ser um problema com a placa gráfica. Nestes modelos (Sony Vaio FE41S) a placa está soldada na board, portanto não posso substituí-la. O ecrã mostra-me uma imagem a lembrar o negativo da uma fotografia, quer esteja na BIOS ou no sistema operativo. Já alguma vez vos aconteceu uma avaria destas?
Estou tramado. O portátil já está fora da garantia. Comprar outro está fora de questão. Uso-o no trabalho, para evitar os computadores da treta que eles lá têm e as restrições administrativas das workstations. Mal comecei as férias e já estou a pensar no stress acumulado que vai ser trabalhar naqueles PCs pré-históricos com pouca memória e Windows XP.

Os elementos químicos explicados em vídeo

Que tal um site onde cada elemento da tabela periódica fosse explicado em vídeo? A Universidade de Nottingham fez esse trabalho. Por cada símbolo que carregamos na tabela, é lançada uma janela com o respectivo vídeo onde professores e técnicos explicam e demonstram as características de cada elemento. Brilhante projecto. Link

Uma Foto e uma Música

Carro abandonado na praia

Foto: Robyn Dawn Grant (Lost Mercedes) | Música: Janis Joplin (Mercedes Benz)

Aos ‘fanboys’ do Batman que ainda me enviam emails

FanboyQueridos fanboys do novo filme do Batman: quero agradecer-vos do fundo do meu céptico coração todas as mensagens que me enviaram com inúmeros links para reviews positivas, tanto de bloggers portugueses como de estrangeiros. Estou impressionado com a dedicação ao filme e agradecido pela boa-educação com que discordaram comigo, mas a minha opinião mantém-se igual: The Dark Knight tem todos os condimentos necessários para criar a batmania, mas está longe de ser um bom filme, quanto mais uma obra-prima.

Sei que é ofensivo criticar um filme que vocês tanto gostaram, mas não tenciono trocar a sinceridade pela diplomacia. Sempre que o fiz, fiquei a perder. Se quisesse ser diplomático e medisse as minhas palavras, este blogue, tal como o conheço, morreria sufocado no seu próprio vómito.

Não me deixo impressionar por críticas mais ou menos pomposas de especialistas em cinema que afirmam que o filme «nos deixa a pensar» mas não dizem em quê. Assim também eu.

Posso dizer-vos, já agora, que The Dark Knight também me deixou a pensar: «Estou à rasquinha para fazer chichi» foi o pensamento mais forte que me ocorreu depois de duas horas e meia enfiado no cinema.

Também é escusado apontarem-me sites e blogues onde a iconografia e linhagem do Batman é exaustivamente usada para «justificar» a qualidade do filme. Um bom filme, desculpem, não queria ofender-vos, uma obra-prima, não precisa de tantas justificações e salamaleques. Um bom filme basta-se a si próprio.

Agradeço que tenham a gentileza de me deixar escolher outras obras para adorar. Eu até dou a mão à palmatória quanto me demonstram que estou enganado, mas entre os meus e os vossos gostos, continuo a preferir os meus - não porque sejam os meus, mas porque sinceramente são melhores.

Pronto, agora não me aborreçam mais com emails e mensagens a falar na tia-avó do Batman que perdeu um olho enquanto visitava as Grutas da Alapraia e é por isso que aquela cena é tão importante, tás a ver? Tou sim, senhor. Obrigado por todos os esclarecimentos. Que os deuses das pipocas vos acompanhem. Que a Força esteja convosco, irmãos, o Merchandising está entre nós.

Férias. Finalmente.

Cartão postal pré-histórico

Blog NiceGallery não é trabalho, é prazer; continuará a ser actualizado, embora mais lentamente…

Radiohead engolido, mastigado e deitado fora

A última vez na vida em que fiquei totalmente surpreendido e apanhado por uma música foi com os Radiohead e o tema Paranoid Android que ouvia na saudosa XFM. Embora musicalmente nunca tenham estado relacionados, ouvir Paranoid Android e depois o OK Computer era como regressar aos bons velhos tempos em que passava noites inteiras a ouvir o The Wall dos Pink Floyd sem me fartar, até decorar todas as letras e cantar o álbum de uma ponta à outra. Como aconteceu com Roger Waters, a voz de Thom Yorke arrepiava-me. Ainda me arrepia.

Portanto tudo o que tenha a ver com os Radiohead me interessa, incluindo versões alternativas feitas por outros músicos. O projecto que justifica este post - Me and This Army: Radiohead Remixed and Mashed Up by Panzah Zandahz - é radicalmente diferente de todos os outros que conheço. Para os que não gostam de electrónica e não se impressionam com as misturas dos DJs, é um projecto a esquecer rapidamente. Pior: de fugir.

Eu gosto de misturas e de abordagens diferentes a músicas que já conheço, mesmo que sejam electrónicas, mas parece-me um disco desigual e pouco entusiasmante: tanto oiço uma mistura engraçada como, logo a seguir, me aborreço com tantos loops e robôtretas. Nada como o sabor original, como é óbvio.

Mas… É possível que alguns de vocês gostem.

O projecto consiste em 16 canções engolidas, mastigadas e deitadas fora até à exaustão por Panzah Zandahz, o mentor, e uma trupe de grandes DJs como MF Doom, Jurassic 5 e De La Soul, entre outros. Deixo aqui o álbum para que os interessados o possam sacar. Faço-o porque o próprio Panzah Zandahz, numa mensagem enviada ao site BoingBoing (link) encorajou a sua livre distribuição pedindo, apenas, que fosse fornecido uma ligação para a sua editora, caso alguém quisesse comprar o CD online. O link pedido por Zandahz está aqui. O download do disco pode ser feito carregando aqui.

Ghaith Abdul-Ahad, o fotógrafo que escreve

Civil iraquiano morto em Haifa

Iraquiano morto na rua Haifa, em Bagdade. Ao fundo, veículo blindado americano em chamas

A 13 de Setembro de 2004, um helicóptero americano disparou tiros de metralhadora e lançou «rockets» contra uma multidão de civis na rua Haifa, em Bagdade, matando 13 pessoas e ferindo 60, incluindo crianças.

A rua Haifa estava a ferro e fogo nesse dia. Ao amanhecer, dois carros-bomba tinham explodido; morteiros disparados pelos guerrilheiros haviam atingido instalações do governo iraquiano; um oficial de segurança fora morto. Combates entre os resistentes e os americanos ocorreram quase de imediato. Um veículo de combate blindado Bradley foi mobilizado para a luta mas, três horas depois, estava em chamas, atingido por um terceiro carro armadilhado. Os quatro ocupantes do tanque escaparam, mas ficaram feridos.

Era o caos: dois bombistas-suicidas tinham sido apanhados quando tentavam furar o perímetro de segurança montado por americanos e polícias iraquianos; uma multidão de civis apedrejava o Bradley. Foi sobre estas pessoas - dançando triunfalmente à volta do veículo abandonado como índios - que o helicóptero abriu fogo.

Um comunicado do exército dos Estados Unidos, um dia depois, explicava o ataque como «uma tentativa de destruir um veículo militar americano abandonado e garantir a própria segurança das pessoas que se aproximavam» e «impedir que guerrilheiros se apoderassem de armas que ainda lá pudessem estar». Dado o resultado que deu esta tentativa de «proteger» os civis, uma segunda versão oficial da história garantia que a tripulação no helicóptero respondera «a tiros vindos das proximidades do veículo abandonado». As filmagens recolhidas por operadores de câmara no local, porém, não mostravam atiradores nenhuns, apenas gente desarmada a comemorar a destruição do Bradley; dezenas de testemunhas no local afirmavam que a tripulação atirara directamente para a multidão, incluindo pessoas que estavam bastante afastadas do veículo.

Havia outra testemunha: Ghaith Abdul-Ahad, 33 anos, fotógrafo iraquiano, um dos mais conhecidos e respeitados fotojornalistas do mundo. Abdul-Ahad não se limita a tirar fotografias, também escreve, e bem, enviando reportagens para jornais como o New York Times, Washington Post, Los Angeles Times, The Times e The Guardian. Foi como correspondente do The Guardian que Abdul-Ahad publicou (e ainda publica) os mais importantes relatos do ataque e ocupação do Iraque pelos americanos.

Naquela manhã, como sempre, estava na linha de fogo, entre a multidão em pânico. Ferido na cabeça pelos estilhaços das explosões, conseguiu refugiar-se com mais seis pessoas no interior de um pequeno quiosque.

A reportagem que escreveu para o The Guardian, à semelhança das fotos que tirou, é um eloquente testemunho dos horrores da guerra e dos dilemas morais que enfrenta um jornalista. O que se segue é um resumo da reportagem original traduzida por mim.

«Estávamos todos apertados dentro do quiosque, que não devia ter mais de dois metros de largura», escreveu Abdul-Ahad. «O sangue começou a pingar na minha câmara, mas só conseguia pensar em manter as lentes limpas».

Junto dele, um homem de 40 anos chorava. «Não estava ferido, mas não parava de chorar.» Abdul-Ahad estava com tanto medo que quase esmagou as costas contra o muro quando o helicóptero disparou em direcção ao quiosque onde estavam escondidos. «Desejei ser invisível, queria esconder-me debaixo dos outros».

Eventualmente o helicóptero afastou-se, dando tempo a que duas das pessoas fugissem em direcção a um edifício próximo. «Diante de mim estava um jovem, não devia ter mais de 20 anos». Usava umas botas de cabedal, fato de treino, estava sentado no chão, as pernas esticadas, um dos joelhos «curvado para fora» de uma forma pouco natural. Na sujidade do chão sob o seu corpo, o sangue escorria. «Ele olhava para a rua com os olhos muito abertos, como se estivesse à procura de alguma coisa, mas não dizia nada».

Danos colaterais em HaifaDanos colaterais em Haifa

13 de Setembro de 2004: Abdul-Ahad testemunha alguns «danos colaterais» na rua Haifa

Na frágil segurança do quiosque, dois dos outros ocupantes descobriram que se conheciam. «Como é que estás», perguntou um deles enquanto tentava alcançar o bolso do telemóvel. «Não estou bem», respondeu palidamente o outro, um jovem com uma t-shirt azul. Mostrou o braço. Parecia ter levado uma dentada de um leão esfomeado: através da carne que faltava via-se já o osso. «Traga um carro e venha, por favor, estamos feridos», gritava o homem ao telemóvel. O homem do joelho rebentado emitia sons fracos que ninguém entendia. «Eu estava tão assustado que nem conseguia tocar-lhe. Dizia para mim próprio que ele não estava a gritar, por isso estava bem».

Decidiu ajudar o homem do telemóvel, que se descontrolara e não parava de gritar, o sangue a escorrer-lhe pela face. Abdul-Ahad rasgou-lhe a t-shirt, disse-lhe para a enrolar à volta da cabeça, mas sentiu-se incapaz de fazer mais qualquer outra coisa. «Tentei recordar o treino de primeiros-socorros que tivera no passado, mas a única coisa que conseguia fazer era tirar fotografias». O homem do joelho continuava a murmurar palavras incompreensíveis. Abdul-Ahad olhou para fora e viu três homens empilhados no meio da rua, ainda vivos mas cobertos de sangue, enquanto um jovem se mantinha estendido no chão, a poucos metros de distância. Todos precisavam de ajuda, mas nenhuma chegou; poucos minutos depois, estavam mortos. «Eu fotografava-os e, ao mesmo tempo, dizia para mim próprio: ‘eles estão a dormir e tu não vais acordá-los’». Crianças começaram a aparecer na rua, observando os cadáveres.

Nesse momento, recorda Abdul-Ahad, alguém rompeu o silêncio: «Um helicóptero!». O fotógrafo refugiou-se outra vez no interior do quiosque, ao mesmo tempo que duas fortes explosões se faziam ouvir na rua. «O tipo com o joelho estragado estava agora inconsciente. Algumas crianças que passavam disseram ‘Está morto’ e eu respondi ‘Não digam isso, ele ainda está vivo, não o assustem!’» Todos estavam já inconscientes: o homem do joelho rebentado, o tipo do telemóvel, o jovem da t-shirt azul com o braço semidesfeito.

«Eu saí de lá com as crianças. Deixámo-los lá para morrer. Nem sequer tentei levar um deles comigo, saí de lá de uma forma egoísta», escreve Abdul-Ahad. À medida que se afastava do quiosque, as pessoas pediam-lhe para não parar de fotografar: «Tire fotografias, mostre ao mundo o que é a Democracia americana».

Finalmente as ambulâncias começaram a chegar. Os iraquianos transportavam os seus feridos, mas nem todos tinham conseguido sobreviver: «Não, este está morto», dizia um condutor. «Traz-me outro». O fotógrafo conseguiu fugir apanhando boleia numa das ambulâncias.

Um dia depois, um colega fotógrafo estava a ver as imagens que Abdul-Ahad captara durante o massacre quando reparou: «Afinal o tal jornalista árabe que morreu ainda estava vivo quando lhe tiraste as fotos.» «Eu não vi nenhum jornalista árabe», respondeu Abdul-Ahad. «É este aqui, olha». Reconheceu o jovem de t-shirt azul a quem um leão esfomeado comera o braço. Ele, o tipo do joelho, o homem do telemóvel, todas as pessoas com quem partilhara o abrigo tinham morrido.

 

Casamentos

CasamentoCasamento

CasamentoCasamento

CasamentoCasamento

A compilação original feita por Dahlia Rideout pode ser vista na sua totalidade casamenteira aqui.

Enciclopédia do Desconhecimento Desnecessário

Cinquenta por cento dos ursos polares fêmeas têm um pénis. Charlie Chaplin entrou num concurso para «Melhor Sósia de Charlie Chaplin» e ficou em terceiro lugar. O coice de uma girafa adulta é tão poderoso que pode decapitar um leão. O tempo médio de duração do orgasmo num porco é de 30 minutos. Seriam necessários 1,2 milhões de mosquitos a morder em simultâneo um ser humano para sugar-lhe todo o sangue. 45 por cento dos americanos não sabem que o Sol é uma estrela. Existem mais de 318 mil milhões de combinações possíveis nas primeiras quatro jogadas do Xadrez. Interessante, não é? Bem-vindos ao site do conhecimento desnecessário.


Ago072008

coisas
HORAS DE APERTO
Prometo solenemente nunca mais me queixar dos apertos e das esperas durante as horas de ponta no Metropolitano de Lisboa. E se alguma vez fiz má cara aos senhores do Metro por a carruagem estar cheia, quero dizer que estou muito, muito arrependido. Link

O PIOR GUARDA REDES DO ANO
Como o futebol português e o Benfica só me dão motivos para ficar mal disposto, deixo-vos um pequeno vídeo com o pior guarda-redes do ano. Quando quiserem explicar à criança o significado da expressão «barata tonta», mostrem-lhe isto.

NÃO PONHA ALI OS PÉS NEM QUE ME PAGASSEM

Estão a ver aquele caminho muito estreito e completamente deteriorado? É um paraíso para escaladores, mas um inferno para quem tem vertigens. Aquilo é demasiado estreito e não tem praticamente qualquer barreira que separe o caminhante de um abismo de 150 metros. Mas alguém se lembrou de filmar o percurso de doidos para nos dar uma perspectiva em primeira pessoa de como é andar ali.
Esta passagem – conhecida como Camiño del Rey – não sofre qualquer tipo de manutenção desde que foi encerrada pelas autoridades espanholas em 2000, na sequência da queda (e morte) de quatro pessoas. Encontra-se agora tão deteriorada que o caminho praticamente deixou de existir em algumas zonas: é preciso fazer equilibrismo nas estruturas de metal que sustentam a plataforma. Medo…
A filmagem foi feita na célebre Garganta do Chorro, em Málaga, no sul de Espanha. A Garganta do Chorro é um corte de 250 metros de profundidade feito de paredes calcárias e por onde passa o rio Guadalhorce. O caminho foi construído ao longo da garganta para que o Rei Afonso XIII pudesse acompanhar o andamento das obras de construção da barragem. Esta foi inaugurada em 1924.
Agora vejam o vídeo, façam de conta que não tem banda sonora, concentram-se nas imagens e respondam-me à seguinte pergunta: eram capazes?

FIREFOX OU INTERNET EXPLORER?

Joanne ColanA inglesa Joanne Colan é desde 12 de Julho de 2006 o pivô de um dos mais populares vblogs do planeta, o RocketBoom. Neste vídeo, Joanne percorre as ruas de Nova Iorque fazendo uma simples pergunta aos novaiorquinos: «Que browser prefere, Firefox ou Internet Explorer?»

É interessante ver o tipo de pessoas entrevistadas e as suas preferências: grande parte dos jovens prefere obviamente Firefox. Mas a melhor resposta de todas foi esta: «Firefox. Because i am a fox and i’m on fire.»


 

CAMPOS MAGNÉTICOS "VISIVEIS"
Os campos magnéticos são fenómenos físicos invisíveis, mas cientistas da NASA fizeram uso das maravilhas do CGI (animação computorizada) para criar um filme mostrando esses campos em acção em situações do quotidiano. Não se trata portanto de uma filmagem ‘real’ mas de uma representação de como os veríamos, caso tal fosse possível.

O campo magnético da Terra (magnetosfera) protege a superfície terrestre do vento solar e sem isso teria sido difícil a ocorrência de vida. Mais sobre a magnetosfera aqui. E vejam o vídeo, está engraçado. Não se esqueçam de ligar o som.

VIAGEM DE AUTOCARRO.

Asaf Agranat é um israelita de 27 anos. Mudou-se para Londres para estudar animação no Edinburgh College of Art. O seu pequeno filme de graduação – Bus Ride and Flowers in Her Hair – custou-lhe dois meses de trabalho e mais seis de pós-produção.
O trabalho acabou por trazer a Asaf o reconhecimento internacional do seu enorme talento e dois prémios importantes: Scottish BAFTA 2005 (Best Short Animation) e Royal Television Award (Best Animation).
Claro que não estaria a falar desta animação se não tivesse colocado o vídeo aqui . E este é de descarregamento obrigatório. Nota final: não o vejam no meio da confusão. Observem-no em silêncio. Há sons que não se podem perder. (Formato do vídeo: QuickTime)

NEW CAR FOR WOMEN.

10 fantásticos segundos de efeitos especiais… Download

DISCURSO QUE NÃO MUDOU O MUNDO.

Entre 3 e 14 de Junho de 1992, no Rio de Janeiro, decorreu a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento - conhecida como a Cimeira da Terra. A reunião tinha como objectivo decidir quais as medidas a tomar para diminuir a degradação ambiental e preservar a vida das gerações vindouras.
Dado que uma das notas dominantes nestes trabalhos era o de preservar este planeta para as futuras gerações, decidiu-se que uma criança discursaria no encerramento de um dos plenários. Quem subiu ao palco foi uma rapariga de 12 anos oriunda do Canadá, Severn Cullis-Suzuki.
A sala encontrava-se cheia com os delegados de quase todos os países do mundo – os mesmos que discutiam há dias a questão-base da cimeira: como conciliar o desenvolvimento económico e industrial com a conservação e protecção dos ecossistemas da Terra.
Talvez ninguém estivesse à espera de qualquer coisa de especial: uma mistura de ingenuidade e de boa vontade, de idealismo e esperança, bom para mostrar nos telejornais à noite, e que seria aplaudido com condescendência e paternalismo.
Estavam enganados. Inteligente, dotada de uma rara eloquência, a rapariga acabou por fazer aquela que é considerada a intervenção mais importante da Cimeira – um discurso tão forte e uma denúncia tão acutilante à hipocrisia dos governos e dos «adultos» que, segundo dizem os relatos, a reacção dos delegados se dividiu entre aqueles que se remexeram nas cadeiras, incomodados, e os que choraram, comovidos. Presente na sala, o então futuro vice-presidente dos EUA e actual superstar ambientalista Al Gore correu na direcção de Severn Cullis-Suzuk assim que ela terminou o discurso, tal foi o entusiasmo que as palavras lhe provocaram. O discurso que não mudou o mundo pode ser visto aqui.

2 VIDEOS UM DÁ PARA RIR O OUTRO NÃO.

Não é meu hábito colocar aqui vídeos chocantes, mas abro uma excepção para este. Trata-se de um acidente numa auto-estrada filmado de um helicóptero (como aquelas reportagens de perseguições policiais que vemos nas televisões americanas) – não há sangue nem tripas de fora, mas mesmo visto à distância é muito violento. Se te julgas invencível quando estás dentro de um carro, então vê este despiste e atropelamento na auto-estrada

Quero mostrar-vos um segundo vídeo – este é igualmente violento, mas tem momentos hilariantes. É como se alguém tivesse desejado fazer uma imitação grosseira de um filme do Kusturica. Sem mais delongas, eis um casamento que acaba à porrada

SOBREVIVÊNCIA

É possível que estas sejam duas das mais curtas e incríveis histórias de sobrevivência alguma vez registadas em vídeo. Vejam primeiro esta, a mais espectacular; depois vejam o que sucedeu aqui.

KEN KEE

Conheço pelo menos uma pessoa que está a precisar de dar umas boas gargalhadas – sim, esta é para ti, pá. Vê o vídeo no YouTube, vais cair da cadeira de tanto rir.
Eu explico: vocês conhecem aquela concurso Idols onde a malta com aspirações a artista vai lá cantar os grandes êxitos dos seus ídolos? Já passou qualquer coisa assim em Portugal, certo? Bem, este vídeo mostra-nos a prestação de uma concorrente búlgara cantando uma balada xaroposa da Mariah Carey chamada Without You. Para vocês poderem rebentar a rir, é necessário primeiro que tenham uma ideia de como é a letra original. Aqui fica o refrão: I can’t live/if living is without you/I can’t live/I can’t give anymore/I can’t live/if living is without you/I can’t give/I can’t give anymore. Tomaram nota?
Agora vão lá ouvir a concorrente cantando este refrão (e o resto da letra!) com a pronúncia inglesa mais espantosa que alguma vez ouvi na vida… Estamos perante a descoberta de um novo grande talento da linguística. As expressões incrédulas dos membros do júri também são memoráveis. Link

OS MELHORES 50 GOLOS DA HIST´RIA DO FUTEBOL

Esta compilação que encontrei no YouTube mostra-nos os melhores 50 golos da história do futebol e é digna de se ver. Enquanto não me passa a neura – ler post seguinte – entretenho-me com estas coisas. Quanto à compilação, como sempre acontece quando se quer determinar o melhor seja do que for, há sempre razões para discordarmos da selecção feita. Eu cá tirava dois dos inúmeros pontapés de bicicleta escolhidos e colocava o golo de chapéu que um dia o Rui Costa marcou contra a Irlanda ou mesmo o remate do Figo que iniciou a espectacular reviravolta no jogo contra a Inglaterra. Link

O ROBÔT RASTEJANTE

Um «performer» japonês, Momoyo Tormitso, construiu um bizarro robô rastejante, vestiu-o como um idoso homem de negócios e exibiu-o nas ruas de Sidney, perante a surpresa incrédula dos australianos. O objectivo é denunciar a crise económica asiática e a cultura salarial ‘rígida’ dos japoneses. Vídeo


Ago022008

pensamentos matemáticos

O CUMÚLO DO POST EM BRANCO.

O que fazer quando não sabemos o que escrever? Qualquer pessoa que tem um blogue já enfrentou este problema: vontade de actualizar não falta, o que falta é ter algo para dizer. Muitas vezes estes bloqueios levam a que a pessoa acabe por abandonar o blogue, convencida de que não tem pedalada para o manter numa base quase diária. Será que o desfecho tem de ser mesmo este? Eis alguns truques que

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Portanto o cúmulo do post em branco é começar um post sobre como evitar um post em branco e ficar bloqueado logo ao princípio. Irra!

A MATEMÁTICA DE UM SURFISTA.

Pensa pela tua própria cabeça Um certo dia, devia ter uns vinte anos, pouco mais, tive uma conversa com um gajo dez anos mais velho e que toda a gente considerava fútil e imaturo porque aparentemente não pensava noutra coisa senão em surfar. Era o típico surfista betinho do Estoril. Eu não o gramava porque andávamos os dois a fazer olhinhos à mesma miúda, mas o acaso fez com que ao fim de uma noite de copos e esplanada fôssemos os últimos do grupo a sair da mesa.

Acabei por ter com esse rival «fútil e imaturo» uma conversa importante sobre, imaginem, Matemática. Quando eu lhe disse que detestava tanto a Matemática como adorava o Português, abanou a cabeça e sorriu, como se já estivesse habituado a ouvir. Era habitual sorrir e guardar o resto, o que lhe dava um ar dissimulado; naquela noite percebi que era alguém que preferia falar com uma pessoa de cada vez.

Disse-me então que a Matemática não se resumia apenas às contas e aos números, era essencialmente uma forma de estar na vida. O raciocínio matemático ensinara-o a separar no dia-a-dia aquilo que é relevante do que é irrelevante. Ao deitar as coisas irrelevantes para o caixote do lixo e guardando apenas as relevantes, poupava tempo, energia e chatices. O que os outros pensavam dele e do que gostava de fazer era irrelevante. O que o fazia estar bem consigo próprio e com a vida já era relevante. Os valores pelos quais os outros o julgavam como «fútil e imaturo» eram irrelevantes. O que contavam eram os seus próprios valores. Isto agora até parece óbvio, mas na altura foi… relevante. Sempre pensara que as lições me seriam dadam por um poeta, escritor ou filósofo, não por um surfista. Foi outra lição.


P.S. - Nenhum ficou com a miúda.

POST HIPNÓTICO.

acreditas em hipnotismo?acreditas em hipnotismo?acreditas em hipnotismo?acreditas em hipnotismo?acreditas em hipnotismo?acreditas em hipnotismo?acreditas em hipnotismo?acreditas em hipnotismo?acreditas em hipnotismo?acreditas em hipnotismo?

GOSTOS DISCUTEM-SE.

Joel Watson

O QUE VAI SAFANDO ESTE BLOG SÃO AS FLORZINHAS...

Rosario Dawson


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